Como escolher software de controle de ponto CLT (REP-P)
por Bruno Vieira · 05 de setembro de 2026
Veja o que a Portaria 671 MTE exige de um REP-P, como garantir segurança jurídica e quais perguntas fazer antes de assinar um software de ponto.

Como escolher software de controle de ponto CLT (REP-P)
Se sua empresa tem mais de 20 trabalhadores, a anotação de entrada e saída deixa de ser escolha: é obrigatória pelo Art. 74, § 2º da CLT. A partir daí, o desafio do DP não é “ter um app”, e sim ter um REP-P que gere evidências, aguente a rotina (obra, externo, turnos) e não vire dor de cabeça no fechamento da folha.
A base de regras do ponto eletrônico hoje está na Portaria MTP nº 671/2021, que consolidou o tema e substituiu as antigas Portarias 1.510 e 373.
O que é REP-P (e o que você precisa ver na prática)
O REP-P é o Registrador Eletrônico de Ponto via Programa: o registro é feito por software (computador, tablet, celular), desde que cumpra os requisitos aplicáveis da Portaria 671.
Dois pontos da Portaria 671 aparecem na operação todo mês:
- Comprovante obrigatório ao trabalhador: o REP-P deve emitir o Comprovante de Registro de Ponto do Trabalhador, impresso ou eletrônico (Art. 80).
- Sem “apagar/editar marcação”: é proibido usar dispositivos/soluções que permitam alteração ou exclusão dos dados registrados pelo empregado (Art. 93).
E, para fiscalização, o arquivo que importa é o:
- AEJ (Arquivo Eletrônico de Jornada): documento padrão para fiscalização do trabalho, substituindo AFDT e ACJEF.
Exemplos reais de PME: como o REP-P deve se comportar (e o impacto no fechamento)
Abaixo, cenários comuns e o que você deve exigir do sistema na rotina, pensando no que o DP precisa para fechar o mês.
1) Obra/galpão sem internet (ou internet instável)
O que acontece na vida real
- Funcionário tenta marcar e o sinal cai.
- DP recebe marcações “faltando” e precisa ajustar.
O que o REP-P precisa entregar
- Um modo de contingência/offline (quando existir no fornecedor) com sincronização posterior.
- Na sincronização, o sistema deve manter a integridade do registro e não “recriar” marcações sem evidência.
Impacto no fechamento da folha
- Sem contingência bem resolvida, o DP passa o mês corrigindo exceções (faltas de marcação), e o fechamento vira uma sequência de ajustes.
Na demonstração, não aceite só promessa: peça para o fornecedor simular uma marcação sem internet e depois mostrar a reconciliação quando a conexão volta.
2) Equipe externa (vendas, manutenção, entregas)
O que acontece na vida real
- Marcações fora da empresa.
- Discussão recorrente: “marcou por outra pessoa?” / “marcou em horário diferente?”.
O que o REP-P precisa entregar
- Emissão do comprovante ao trabalhador (Art. 80) de forma que ele consiga acessar/guardar.
- Controles operacionais do fornecedor (ex.: perfis de acesso, logs) para o DP conseguir auditar o que foi feito e por quem.
Impacto no fechamento da folha
- Quanto mais fricção na marcação, mais “ajuste” cai no colo do DP no fim do período.
Recursos como geolocalização/biometria podem existir em alguns fornecedores, mas trate como opcional e valide com cuidado (ver seção de LGPD/biometria).
3) Turnos e escalas (ex.: 12x36)
O que acontece na vida real
- Jornada longa, trocas de plantão, virada de dia.
- Se o sistema não lida bem com virada de data, o relatório sai “quebrado”.
O que o REP-P precisa entregar
- Parametrização de regras de jornada e relatórios que permitam ao DP conferir o que foi apurado.
- Evidência de que as marcações originais não são apagadas/alteradas (Art. 93), mesmo quando houver ajustes operacionais.
Impacto no fechamento da folha
- Escala mal parametrizada = apuração inconsistente = retrabalho e risco de pagar errado.
4) Banco de horas (rotina de compensações)
O que acontece na vida real
- Compensações ao longo do mês.
- DP precisa explicar saldo e origem do saldo.
O que o REP-P precisa entregar
- Relatórios claros para conferência e rastreabilidade de ajustes (sem mexer na marcação original, respeitando Art. 93).
- Exportação consistente para a rotina de folha/contabilidade.
Impacto no fechamento da folha
- Sem rastreabilidade, o DP perde tempo “provando” de onde veio cada saldo.
Mini-roteiro de validação na demonstração (com evidências)
Use este passo a passo para comparar fornecedores. A ideia é sair da demo com prints/arquivos e respostas objetivas.
Passo 1) Marcação e comprovante (Art. 80)
- Peça para um usuário “colaborador” fazer uma marcação.
- Em seguida, peça para mostrar como o comprovante é entregue:
- Onde o trabalhador acessa?
- Dá para baixar/encaminhar?
- O comprovante fica disponível depois (histórico)?
Evidência mínima para guardar: print da tela do comprovante + exemplo de comprovante emitido.
Passo 2) Prova de que não dá para apagar/alterar marcação (Art. 93)
- Peça para o perfil de “gestor/DP” tentar:
- excluir uma marcação;
- editar uma marcação já registrada.
- O esperado é que o sistema não permita apagar/alterar o dado registrado pelo empregado.
Evidência mínima: print/registro do sistema mostrando a restrição (ou a política de integridade).
Passo 3) Ajustes operacionais com trilha de auditoria
Ajuste existe na vida real (esquecimento, correção de exceção). O ponto é: como fica a trilha.
- Peça para simular um ajuste (ex.: inserir justificativa/ocorrência conforme o fluxo do fornecedor).
- Exija ver:
- quem fez;
- quando fez;
- o que foi ajustado;
- qual justificativa ficou registrada.
Evidência mínima: print da trilha de auditoria + lista de perfis de acesso.
Cansado de planilha de ponto?
Controle ponto, hora extra e DSR no PontoBarato — a partir de R$ 5/mês.
Passo 4) Geração do AEJ (arquivo padrão)
- Peça para o fornecedor abrir a tela de exportação.
- Gere o AEJ ali, na hora.
- Confirme como o arquivo fica disponível para o DP (download, histórico, filtros por período).
Evidência mínima: arquivo AEJ gerado + print da tela de geração.
Passo 5) Logs e perfis de acesso
- Peça a matriz de perfis (colaborador, gestor, DP, administrador).
- Confirme se o sistema registra logs de ações relevantes (ex.: ajustes, aprovações, alterações de cadastro).
Evidência mínima: print/lista de perfis + exemplo de log.
Critérios técnicos e operacionais (o que costuma derrubar a operação)
Retenção e acesso ao histórico (política de dados)
Perguntas objetivas para o fornecedor:
- Por quanto tempo os dados e relatórios ficam disponíveis no sistema?
- O cliente consegue exportar o que precisa (incluindo AEJ) quando quiser?
- Existe limite por período/volume para exportação?
Se a resposta for “depende” sem documento/política clara, trate como risco operacional.
Suporte e SLA (rotina de DP não espera)
O DP não precisa de “atendimento simpático”; precisa de previsibilidade.
Valide:
- canais (chat/e-mail/telefone);
- horário de atendimento;
- como o fornecedor trata incidentes que impedem marcação ou exportação.
Se o fornecedor não consegue explicar o fluxo de suporte e prioridades, você vai descobrir no pior dia: fechamento.
LGPD e biometria (quando houver)
Alguns fornecedores oferecem biometria (ex.: reconhecimento facial). Isso envolve dados pessoais sensíveis e exige cuidado.
O que pedir (sem entrar em promessas genéricas):
- qual dado biométrico é coletado e como é armazenado;
- quais controles de acesso existem;
- como o trabalhador é informado sobre o tratamento;
- em quais situações o fornecedor pede consentimento (quando aplicável) e quais alternativas existem.
Se o fornecedor não consegue explicar o básico de armazenamento e acesso, evite ativar biometria “por padrão”.
Contingência/offline e reconciliação de marcações
Se sua operação tem locais sem internet, valide:
- como o sistema registra marcações offline;
- como sincroniza;
- como o DP identifica o que foi sincronizado e o que ficou pendente.
Matriz de decisão: como comparar fornecedores sem cair em marketing
Use a tabela para pontuar cada fornecedor (ex.: 0 = não atende, 1 = atende parcialmente, 2 = atende bem).
| Critério | O que validar na demo | Evidência que você leva | Peso sugerido |
|---|---|---|---|
| Comprovante ao trabalhador (Art. 80) | Emissão e acesso pelo colaborador | Print + comprovante emitido | Alto |
| Integridade (Art. 93) | Não permite apagar/alterar marcação do empregado | Print da restrição/política | Alto |
| AEJ | Geração em tela e download | Arquivo AEJ + print | Alto |
| Trilha de auditoria de ajustes | Quem/quando/o quê/justificativa | Print da auditoria | Alto |
| Perfis de acesso e logs | Perfis + logs de ações | Print/lista | Médio |
| Contingência/offline | Simulação offline + reconciliação | Print do status/sincronização | Médio |
| Retenção e exportação de histórico | Política clara + exportações repetíveis | Documento/política | Médio |
| Suporte/SLA | Fluxo de atendimento e prioridades | SLA/política de suporte | Médio |
Red flags (sinais de risco) com exemplos
- “Dá para editar a marcação para facilitar”: se o sistema permite apagar/alterar o que o empregado registrou, você está indo contra a lógica do Art. 93.
- AEJ “a gente vê depois”: se não gera AEJ na demo, trate como não atendido.
- Comprovante escondido/complicado: se o trabalhador não consegue acessar o comprovante com facilidade, você cria atrito e perde evidência (Art. 80).
- Sem trilha de auditoria: ajuste sem registro de quem/quando/por quê vira discussão no fechamento.
- Política de dados vaga: sem clareza de retenção e exportação, você fica refém do fornecedor.
Fechamento do mês: o que “bom ponto” precisa entregar para o DP
No fim do período, o DP precisa de três coisas, sempre:
- Marcações íntegras (sem edição/exclusão do registro do empregado — Art. 93).
- Comprovantes disponíveis ao trabalhador (Art. 80).
- AEJ gerável para fiscalização e auditoria interna.
Se o fornecedor atende isso e ainda entrega trilha de auditoria, perfis de acesso, exportações consistentes e suporte previsível, você reduz retrabalho e estabiliza o fechamento.
CTA (sutil): como o PontoBarato entra nessa comparação
Se você está avaliando opções, use o roteiro acima na demonstração e compare com calma. Um aviso direto: o PontoBarato ainda não é REP-P certificado e não gera AFD/AEJ. Ele registra e audita as batidas, calcula horas e exporta relatórios CSV/PDF. Se sua empresa precisa de REP-P, confirme com seu contador antes de decidir.
Fontes oficiais citadas
- CLT – Decreto-Lei 5.452/43 (Art. 74, § 2º): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm
- Portaria MTP nº 671, de 8 de novembro de 2021 (Art. 80 e Art. 93): https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-mtp-n-671-de-8-de-novembro-de-2021-357691358
- Guia do eSocial para Empresas: https://www.gov.br/esocial/pt-br
Pare de calcular hora extra na mão
O PontoBarato registra ponto, calcula horas extras e gera relatórios prontos para a folha. Sem instalação, funciona no celular.
- A partir de R$ 5/mês
- Sem cartão de crédito
- Funciona no celular
- Relatórios prontos
Leia também
O que é REP-P e o PontoBarato se encaixa?
REP-P explicado em linguagem direta: o que a Portaria 671 exige, quando sua empresa precisa desse enquadramento e onde o PontoBarato se encaixa para PMEs de 1 a 20 funcionários.
Multa trabalhista por falha no ponto: o que a fiscalização olha
O que o auditor-fiscal confere no controle de ponto, quando a multa da CLT se aplica, o valor por empregado sem registro e como funciona a dupla visita na micro e pequena empresa.
Controle de ponto pra clínica de estética: CLT, prestador e laser
Quem bate ponto na clínica de estética e laser (CLT vs prestador), escalas de recepção e sábado, GPS e preços do PontoBarato a partir de R$ 5/mês.