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Como calcular hora extra de comissionista puro (Súmula 340)

por Bruno Vieira · 27 de agosto de 2026

Entenda o cálculo correto da hora extra do comissionista puro pela Súmula 340 do TST, com divisor por horas reais, exemplos e reflexos no DSR.

Como calcular hora extra de comissionista puro (Súmula 340)

Se você paga vendedores por comissão e controla jornada, o cálculo de hora extra muda: no comissionista puro, a jurisprudência consolidada do TST (Súmula 340) leva ao pagamento apenas do adicional de horas extras — porque a “hora normal” já está remunerada pelas comissões geradas.

Base permitida neste artigo: Súmula 340 do TST, Art. 7º, XVI da Constituição Federal, entendimento consolidado sobre divisor por horas efetivamente trabalhadas, OJ 397 da SDI-1 do TST (comissionista misto – parte variável) e Art. 59 da CLT (limite de 2h extras/dia mediante acordo escrito ou CCT).


1) Quem é o comissionista puro (e por que isso muda a hora extra)

Na prática de DP, comissionista puro é quem tem remuneração integralmente variável, baseada em comissões (vendas, negócios fechados etc.), sem parcela fixa mensal.

Isso importa porque, pela Súmula nº 340 do TST (fonte oficial: https://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_indice/Sumulas_Pag301_350.html#SUM-340), em caso de horas extras o comissionista puro tem direito apenas ao adicional, já que a comissão remunera a hora normal.

Comissionista puro x comissionista misto

  • Puro: só comissões.
  • Misto: fixo + comissões.

Para o misto, a OJ 397 da SDI-1 do TST (fonte oficial: https://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/OJ_indice/OJ_sdi1_381_400.html#OJ-397) aplica o mesmo raciocínio da Súmula 340 à parte variável (comissões).


2) O que a Súmula 340 e a Constituição garantem (sem misturar conceitos)

Só o adicional (não “hora cheia + adicional”)

  • Súmula 340/TST: comissionista puro recebe somente o adicional de horas extras.

Percentual mínimo do adicional

Limite diário de horas extras


3) Divisor e base de cálculo: quando usar horas efetivas (e o que fazer em mês “quebrado”)

Aqui é onde mais aparece erro de folha.

Regra prática do divisor (comissionista puro)

Diferente do horista/mensalista, no comissionista puro o divisor é o número de horas efetivamente trabalhadas no mês, conforme jurisprudência consolidada.

Valor-hora das comissões no mês = Total de comissões do mês ÷ Horas efetivamente trabalhadas no mês

O que entra em “horas efetivamente trabalhadas”

Use as horas apuradas no controle de ponto como “horas efetivas”. Se o mês teve variação (faltas, atrasos, admissão/demissão no meio do mês, afastamentos), o caminho operacional é o mesmo:

  1. Feche o total de comissões do mês (conforme sua regra interna de apuração/pagamento de comissões).
  2. Feche as horas efetivamente trabalhadas no mês (ponto do período).
  3. Calcule o valor-hora e aplique o adicional apenas sobre as horas extras apuradas.

Observação importante (sem criar regra nova): meses com menos horas trabalhadas tendem a elevar o valor-hora (porque o divisor cai). Por isso, o ponto bem fechado e documentado é o que sustenta o cálculo.


4) Cálculo da hora extra do comissionista puro (passo a passo)

Fórmula (Súmula 340)

Hora extra a pagar (comissionista puro) = (Total de comissões ÷ Horas efetivas) × Adicional × Horas extras

  • Adicional: mínimo 0,5 (50%), conforme Art. 7º, XVI da CF.

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Exemplo fechado (reproduzível)

Dados do mês

  • Comissões do mês: R$ 4.500,00
  • Horas efetivamente trabalhadas (ponto): 180h
  • Horas extras apuradas: 12h
  • Adicional: 50%

1) Valor-hora das comissões

  • 4.500,00 ÷ 180 = R$ 25,00

2) Valor do adicional por hora extra

  • 25,00 × 0,5 = R$ 12,50

3) Total de horas extras (somente adicional)

  • 12,50 × 12 = R$ 150,00

Tabela-resumo:

ItemCálculoResultado
Comissões do mês—R$ 4.500,00
Horas efetivas (divisor)—180h
Valor-hora4.500 ÷ 180R$ 25,00
Adicional (50%)25,00 × 0,5R$ 12,50
Horas extras—12h
Horas extras a pagar12,50 × 12R$ 150,00

5) DSR: como calcular em valor, tratar feriados e definir a base do reflexo

O DSR costuma gerar divergência porque algumas rotinas calculam “em horas” e outras “em valor”. Para DP, o mais claro é fechar em valor, com base no que você já apurou de horas extras.

5.1 O que exatamente reflete no DSR aqui?

Como, no comissionista puro, a hora extra paga é apenas o adicional (Súmula 340), o reflexo de DSR que você está projetando neste cálculo é o DSR sobre o valor do adicional de horas extras apurado no mês.

5.2 Fórmula operacional (DSR em valor)

  1. Apure o valor total do adicional de horas extras do mês.
  2. Calcule o DSR:

DSR sobre HE (valor) = (Valor das HE no mês ÷ Dias úteis) × (Domingos + Feriados)

  • Feriados: entram junto com os descansos na parcela “Domingos + Feriados”, porque a lógica é projetar a média do que foi gerado nos dias úteis para os dias de descanso/feriado do mês.

5.3 Exemplo completo fechado na folha (com feriado)

Vamos reaproveitar o exemplo anterior e fechar o DSR em valor.

Dados do mês

  • Valor das horas extras (somente adicional): R$ 150,00
  • Dias úteis no mês: 24
  • Domingos no mês: 4
  • Feriados no mês: 1
  • Total de descansos para projeção: 5 (4 domingos + 1 feriado)

Cálculo do DSR (valor)

  • DSR = (150,00 ÷ 24) × 5
  • DSR = 6,25 × 5 = R$ 31,25

Como ficaria “fechado” no mês (visão de rubricas)

RubricaValor
Comissões do mêsR$ 4.500,00
Adicional de horas extras (Súmula 340)R$ 150,00
DSR sobre adicional de horas extrasR$ 31,25

Resultado prático: você não está “recalculando a comissão” no DSR aqui; você está refletindo o adicional de horas extras (que foi o que efetivamente nasceu como verba de HE no comissionista puro).


6) Cenários práticos de PME (com o que muda na rotina)

Cenário 1 — Comissionista misto (fixo + comissão): como separar a conta

A OJ 397 da SDI-1 do TST aplica o raciocínio da Súmula 340 à parte variável do comissionista misto.

Operacionalmente, você separa em duas trilhas:

  1. Parte variável (comissões): calcula como no comissionista puro (paga só o adicional sobre o valor-hora das comissões).
  2. Parte fixa: trate na sua folha conforme a rotina padrão de horas extras para salário fixo (este artigo não detalha essa parte porque a base factual aqui é a Súmula 340/OJ 397 para a parcela variável).

Exemplo (apenas da parte variável, para não misturar bases):

  • Comissões do mês: R$ 2.000,00
  • Horas efetivas: 160h
  • Horas extras: 10h
  • Adicional: 50%

Valor-hora comissões = 2.000 ÷ 160 = R$ 12,50 Adicional por HE = 12,50 × 0,5 = R$ 6,25 HE (variável) = 6,25 × 10 = R$ 62,50

Depois, calcule o DSR sobre esses R$ 62,50 com a mesma lógica do item 5.

Cenário 2 — Comissões sobre vendas parceladas e estornos: como não quebrar o cálculo

Aqui o ponto não é “qual regra é a certa” (isso depende da política interna e do que você parametrizou), e sim consistência:

  • Defina qual é o total de comissões do mês que entra no cálculo (por competência interna, por pagamento, por faturamento etc.).
  • Trate estornos de forma rastreável (ex.: estorno no mesmo mês ou em mês posterior), porque isso altera o “total de comissões” e, portanto, o valor-hora.

Boa prática de DP para reduzir discussão: manter relatório mensal com

  • comissões geradas,
  • comissões pagas,
  • estornos/descontos de comissões,
  • total final usado como base do cálculo.

Cenário 3 — Prêmios habituais: entram ou não entram na base?

Se existem pagamentos variáveis além de comissão (ex.: prêmios), isso pode gerar discussão sobre base de cálculo e reflexos.

Como este artigo está limitado às bases acima (Súmula 340, CF, CLT art. 59, OJ 397 e divisor por horas efetivas), a orientação prática aqui é:

  • Se você paga outras verbas variáveis habituais, documente a natureza de cada rubrica e parametrize a folha de forma consistente.
  • Se houver dúvida sobre composição da base, trate como ponto de validação interna (DP/contabilidade/sistema de folha), porque o que muda é o “total variável” que você está usando para apurar o valor-hora.

7) Checklist operacional de DP (para auditoria e reclamatória)

Use como roteiro mensal:

  1. Ponto e jornada

    • Conferir fechamento do ponto (horas normais, extras, faltas/atrasos, ajustes justificados).
    • Guardar evidências de ajustes (solicitação/aprovação interna).
  2. Comissões (base do valor-hora)

    • Relatório do total de comissões do mês (com memória de cálculo).
    • Relatório de estornos/ajustes (quando houver), com rastreabilidade.
  3. Cálculo de HE (Súmula 340)

    • Divisor = horas efetivamente trabalhadas no mês.
    • HE paga = somente adicional (mínimo 50% – Art. 7º, XVI CF).
    • Conferir limite de 2h extras/dia (Art. 59 CLT) e existência de acordo escrito/CCT aplicável.
  4. DSR sobre HE (em valor)

    • Base do DSR = valor do adicional de HE apurado.
    • Dias úteis, domingos e feriados do mês documentados na memória de cálculo.
  5. Rubricas na folha (padronização)

    • “Comissões”
    • “Adicional de horas extras – Súmula 340”
    • “DSR sobre adicional de horas extras”
  6. Integrações e trilha de auditoria

    • Export do ponto (horas efetivas e HE) + import na folha.
    • Arquivo mensal com: ponto fechado, relatórios de comissões, memória de cálculo de HE e DSR.

8) Fontes oficiais


Como o PontoBarato ajuda (sem complicar a rotina)

Como o divisor do comissionista puro é hora efetivamente trabalhada, o que mais protege seu cálculo é um fechamento de ponto consistente e auditável. O PontoBarato ajuda a padronizar o registro de jornada, fechar relatórios de horas (normais e extras) e facilitar a integração com a folha — reduzindo retrabalho e divergência na memória de cálculo mês a mês.

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