Sistema de ponto eletrônico homologado pelo MTE: guia 671/2021
por Bruno Vieira · 04 de setembro de 2026
Entenda o que significa “homologado pelo MTE” na Portaria 671/2021, quais são os tipos de REP e o que a fiscalização realmente pede (AEJ, espelho e comprovantes).

Se você pesquisou por “sistema de ponto eletrônico homologado pelo MTE”, a tradução prática é outra: seu controle de jornada precisa gerar evidências consistentes (arquivo + relatórios + trilhas) no padrão que a fiscalização exige, dentro das regras da Portaria MTP nº 671/2021.
A Portaria 671 unificou as regras e extinguiu as Portarias 1510/2009 e 373/2011. Na prática, o foco deixa de ser “selo” e vira conformidade técnica e documental.
Fontes oficiais (base deste guia):
- CLT – Decreto-Lei nº 5.452/1943 (Art. 74, § 2º): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm
- Portaria MTP nº 671/2021: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-mtp-n-671-de-8-de-novembro-de-2021-357691358
- Guia do eSocial – Documentação Técnica: https://www.gov.br/esocial/pt-br/documentacao-tecnica
O que “homologado” significa na prática (sem mito do selo)
No dia a dia de DP/RH, “homologado” costuma virar três perguntas objetivas:
- Quando a CLT exige controle, você consegue registrar entrada e saída sem depender de improviso.
- Se houver fiscalização, você consegue entregar o AEJ (Arquivo Eletrônico de Jornada), que é o padrão obrigatório.
- Você não usa prática proibida, como marcação automática (Portaria 671, Art. 93): o registro deve ser feito fielmente pelo empregado.
Quando a empresa é obrigada a anotar entrada e saída (CLT)
O Art. 74, § 2º da CLT obriga a anotação da hora de entrada e de saída para estabelecimentos com mais de 20 trabalhadores.
O que isso muda na operação:
- Você precisa de um processo que funcione todo dia, não só no fechamento.
- O que sustenta a empresa é consistência entre arquivo (AEJ), espelho e trilhas de ajuste.
Portaria 671/2021: o que você precisa guardar (e por quê)
Dois pontos da Portaria 671 aparecem direto em auditoria interna e fiscalização:
- AEJ é o padrão obrigatório para fiscalização, substituindo os antigos AFDT e ACJ.
- Marcação automática é proibida (Art. 93): o registro deve ser feito fielmente pelo empregado.
REP-P (via programa): o requisito que você cobra do fornecedor (Art. 78)
Se você usa REP-P (Registro Eletrônico de Ponto via Programa), há um requisito documental simples de checar:
- O REP-P deve possuir certificado de registro de programa de computador no INPI, conforme Art. 78 da Portaria 671.
Como operacionalizar no DP/Compras:
- Solicite ao fornecedor: “Envie o certificado de registro do programa no INPI do REP-P”.
- Arquive junto do seu pacote mensal (ou por versão do sistema, se você controla isso internamente).
AEJ: o arquivo que a fiscalização vai pedir (e que substitui AFDT/ACJ)
O Arquivo Eletrônico de Jornada (AEJ) é o padrão obrigatório para fiscalização, substituindo AFDT e ACJ.
Ponto prático: “só espelho em PDF” não resolve se você não consegue gerar o AEJ do período solicitado.
Espelho de ponto: use como leitura humana (e confira contra o AEJ)
O espelho é o relatório que consolida marcações e jornada para leitura e conferência. Na prática, ele precisa ser:
- legível;
- coerente com as marcações;
- capaz de evidenciar quando houve ajuste (e apontar para a trilha/justificativa no seu processo).
Observação editorial: o “como” você coleta ciência/assinatura é procedimento interno. O que não dá é fechar mês sem rastreabilidade de ajustes.
Proibição que derruba operação: marcação automática (Art. 93)
A Portaria 671 proíbe a marcação automática (Art. 93). O registro deve ser feito fielmente pelo empregado.
Sinais operacionais de risco (para DP auditar):
- muitos colaboradores com horários idênticos em vários dias seguidos, sem variação e sem justificativa;
- “ajustes em lote” para encaixar jornada em um padrão;
- espelho “perfeito” enquanto o histórico de marcações mostra lacunas (ou o contrário).
Mini-casos (o que acontece na prática e como responder)
A ideia aqui é te dar cenários reproduzíveis de DP — com nomenclatura de arquivos e tempo de resposta interno (SLA) que você pode adotar.
Caso 1 — Fiscalização pede um período fechado: AEJ + espelho no mesmo recorte
Cenário: chega uma solicitação pedindo jornada de um grupo de empregados em um recorte específico (por exemplo, dois meses). O erro comum é mandar só o espelho.
Como responder (roteiro de 60–90 minutos, se você já tem rotina):
- Defina o recorte: meses e empregados.
- Exporte AEJ exatamente do mesmo recorte.
- Exporte o espelho do mesmo recorte (para leitura humana).
- Faça uma checagem rápida de consistência (ver seção “Validar AEJ x espelho”).
- Monte um pacote único.
Nomenclatura de exemplo (pasta zip):
- 01_AEJ/AEJ_2026-07.csv
- 01_AEJ/AEJ_2026-08.csv
- 02_Espelho/Espelho_2026-07.pdf
- 02_Espelho/Espelho_2026-08.pdf
Erro comum: AEJ de um período e espelho de outro (ex.: AEJ de 07/2026 e espelho de 08/2026). Isso gera retrabalho e ruído.
Correção: padronize a extração por “competência” (mês/ano) e use o mesmo filtro em ambos.
Caso 2 — REP-P sem documento do INPI na mão: travamento de compra/renovação
Cenário: DP precisa comprovar conformidade do REP-P, mas ninguém sabe onde está o documento.
Como resolver (SLA interno de 1 dia útil):
- Compras/DP solicita ao fornecedor o certificado de registro do programa no INPI (Portaria 671, Art. 78).
- Arquiva em pasta padrão:
- 06_Conformidade_REP-P/Certificado_INPI_REP-P.pdf
- Registra internamente onde fica (ex.: drive/pasta do DP) para não depender de pessoas.
Erro comum: guardar o documento em e-mail pessoal ou em pasta “geral” sem padrão.
Correção: criar uma pasta fixa de conformidade e apontar no checklist de aceite (ver seção “Checklist técnico de compra”).
Caso 3 — Ajustes demais no fechamento: risco de parecer marcação automática
Cenário: no fechamento do mês, aparecem muitos ajustes para “corrigir” horários. Mesmo que o motivo seja operacional (esquecimento de marcação, troca de turno etc.), o padrão pode ficar com cara de automatismo.
Como tratar (SLA interno de 48 horas para fechar o mês):
- Separar ajustes por tipo (ex.: “esquecimento”, “problema de acesso”, “troca de escala”) — categorias internas.
- Exigir justificativa mínima e evidência (modelo abaixo).
- Conferir se o resultado final (espelho) continua coerente com o histórico e com o AEJ.
Erro comum: ajuste sem motivo e sem aprovador definido.
Correção: política de ajustes curta + fluxo de aprovação + trilha exportável.
Política de ajustes: modelo curto (campos obrigatórios) + fluxo
A Portaria 671 proíbe marcação automática; ajustes existem na vida real, mas precisam ser controlados e rastreáveis. Abaixo vai um modelo enxuto para você implementar como procedimento interno.
Modelo de registro de ajuste (campos obrigatórios)
Use como formulário, ticket ou registro no próprio sistema (o importante é manter rastreabilidade):
- Empregado: (nome / identificação interna)
- Data do ajuste: (data)
- Marcação original: (data/hora e tipo: entrada/saída)
- Marcação ajustada: (data/hora e tipo)
- Motivo do ajuste: (texto objetivo)
- Solicitante: (empregado / gestor / DP)
- Aprovador: (gestor responsável)
- Data/hora da solicitação:
- Data/hora da aprovação:
- Evidência anexada: (ex.: print do histórico, comunicação interna, registro operacional)
- Observações: (se necessário)
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Fluxo de aprovação (simples e auditável)
- Solicitação (empregado ou gestor) com motivo + evidência.
- Validação do gestor (aprova/reprova).
- Execução do ajuste (DP ou perfil autorizado).
- Registro em trilha/log (exportável quando o sistema permitir).
- Conferência no fechamento: amostra de ajustes do mês para checar padrão e coerência.
Como validar consistência: AEJ x espelho (itens de conferência)
Use esta checagem antes de enviar qualquer pacote.
Conferência mínima (rápida)
- Mesmo período: mês/competência idênticos no AEJ e no espelho.
- Mesmo grupo: mesma lista de empregados (sem “faltando um” em um dos lados).
- Sem lacunas óbvias: dias trabalhados no espelho precisam ter correspondência no AEJ.
- Eventos coerentes: entradas/saídas no espelho devem refletir os registros do AEJ (quando houver ajuste, precisa existir trilha/justificativa no seu processo).
Sinais de alerta (para investigar antes de entregar)
- Repetição perfeita de horários para muita gente por muitos dias (padrão típico de automatismo).
- Volume alto de ajustes concentrado sempre no mesmo horário (ex.: “todo mundo ajustado para 08:00/12:00/13:00/18:00”).
- Ajustes sem motivo ou com motivo genérico (“acerto”, “correção”).
- Aprovador inexistente (ajuste feito sem responsável definido).
Se aparecer sinal de alerta, não “maquie”: volte para a política de ajustes e organize evidências. O objetivo é conseguir explicar o que aconteceu.
Checklist técnico de compra (perguntas para o fornecedor) + critérios de aceite
Abaixo está um checklist mais técnico para DP/Compras usar em demonstração, contratação ou troca de sistema.
Perguntas que você deve fazer
Sobre AEJ (fiscalização):
- O sistema gera AEJ por período e por grupo de empregados?
- A exportação permite repetir a extração com o mesmo filtro (reprodutibilidade)?
- Existe forma de validar internamente se o AEJ exportado corresponde ao período selecionado (ex.: confirmação na tela/relatório de parâmetros)?
Sobre trilhas de auditoria e logs:
- O sistema registra trilha de alterações (quem fez, quando fez, o que mudou)?
- Os logs são exportáveis (CSV/PDF/relatório do sistema) para compor pacote de auditoria?
- Existe retenção de histórico (sem prometer prazo legal): por quanto tempo o sistema mantém logs e como você acessa?
Sobre controle de perfis (segregação):
- Quais perfis existem (empregado, gestor, DP, admin)?
- Quem pode ajustar marcação e quem pode aprovar?
- O sistema permite impedir que a mesma pessoa aprove e execute (se você quiser essa regra)?
Sobre comprovante/evidência ao empregado:
- O empregado consegue consultar histórico de marcações?
- Existe comprovante por marcação ou histórico exportável (conforme o sistema)?
- Como o sistema evidencia a origem do registro (para rastreio interno)?
Sobre offline (política operacional):
- O sistema funciona offline? Se sim, como registra o evento e como evidencia a sincronização?
- O que acontece se o empregado ficar dias sem sincronizar?
Sobre REP-P (se for o caso):
- O fornecedor entrega o certificado de registro do programa no INPI (Portaria 671, Art. 78)?
Sobre marcação automática (risco Art. 93):
- Existe qualquer recurso de “preenchimento automático” de marcações? Se existir, dá para desativar?
- O sistema impede marcações “geradas pelo sistema” sem ação do empregado?
Critérios de aceite (objetivos)
- Consegue exportar AEJ do mês anterior em teste (ex.: “competência 2026-08”) e repetir a exportação com o mesmo resultado.
- Consegue exportar espelho do mesmo período e bater com o AEJ em uma amostra (ex.: 5 empregados, 3 dias cada).
- Consegue demonstrar trilha de ajuste: criar 1 ajuste de teste e mostrar quem solicitou, quem aprovou, quem executou e quando.
- Consegue demonstrar controle de perfil: empregado não ajusta; gestor aprova; DP executa (ou a regra que sua empresa definir).
- Se REP-P: fornecedor entrega o documento do INPI (Art. 78) e você arquiva no pacote de conformidade.
Como responder a uma fiscalização: pacote único e sem versões
Passo a passo operacional
- Defina um ponto focal no DP (uma pessoa para consolidar versões).
- Confirme período e empregados solicitados.
- Exporte AEJ do período (padrão obrigatório).
- Exporte espelho do mesmo período (leitura humana).
- Separe documentos de suporte:
- certificado do INPI do REP-P (Art. 78), se aplicável;
- política de ajustes (procedimento interno);
- logs/trilhas de ajustes (quando o sistema disponibilizar export).
- Rode a checagem AEJ x espelho (seção acima).
- Entregue em uma pasta zip com nomenclatura clara.
Estrutura de pastas (modelo)
- 01_AEJ/
- AEJ_2026-07.csv
- AEJ_2026-08.csv
- 02_Espelho/
- Espelho_2026-07.pdf
- Espelho_2026-08.pdf
- 03_Politica_de_Ajustes/
- Politica_Ajustes_Ponto_v1.pdf
- 04_Logs_e_Trilhas/
- Logs_Ajustes_2026-07_2026-08.csv
- 05_Conformidade_REP-P/
- Certificado_INPI_REP-P.pdf
Checklist rápido (DP + Compras)
| Item | O que checar | Base/impacto prático |
|---|---|---|
| Obrigação de controle | Se a empresa tem mais de 20 trabalhadores e precisa anotar entrada/saída | CLT, Art. 74, § 2º |
| AEJ | Se o sistema gera AEJ por período | Padrão obrigatório de fiscalização; substitui AFDT/ACJ |
| REP-P no INPI | Se for REP-P, cobrar certificado no INPI | Portaria 671, Art. 78 |
| Marcação automática | Ver se há automatismo de marcação | Proibido (Portaria 671, Art. 93) |
| Ajustes rastreáveis | Ajuste com motivo, solicitante, aprovador e trilha/log | Reduz risco e acelera resposta |
Onde o eSocial entra (sem prometer integração)
Se sua operação conversa com rotinas do eSocial, use a Documentação Técnica do eSocial como referência para padronizar cadastros e eventos relacionados à jornada, quando aplicável: https://www.gov.br/esocial/pt-br/documentacao-tecnica
Como o PontoBarato ajuda (CTA sutil)
Se você quer parar de “caçar arquivo” quando precisa comprovar jornada, organize a operação para sempre ter um pacote pronto: AEJ + espelho + política de ajustes + trilhas/logs (quando disponíveis) + certificado do INPI para REP-P (Art. 78), e garanta que não exista marcação automática (Art. 93).
O PontoBarato ajuda na parte do dia a dia (auditoria de ajustes e relatórios CSV/PDF), mas ainda não é REP-P certificado, não gera AEJ e não tem registro no INPI. Se sua empresa precisa de REP-P, confirme com seu contador.
Pare de calcular hora extra na mão
O PontoBarato registra ponto, calcula horas extras e gera relatórios prontos para a folha. Sem instalação, funciona no celular.
- A partir de R$ 5/mês
- Sem cartão de crédito
- Funciona no celular
- Relatórios prontos
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