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Custo de manutencao de relogio de ponto: o que pesa no mês

por Bruno Vieira · 04 de setembro de 2026

O relógio de ponto físico não custa só na compra. Entenda onde o dinheiro vai (bobinas, visitas técnicas, paradas e riscos) e compare com o REP-P.

Custo de manutencao de relogio de ponto: o que pesa no mês

Custo de manutenção de relógio de ponto: o que pesa no mês

Comprar o relógio de ponto (REP-C) é só o começo. O que costuma pesar no mês é o que vem depois: bobinas, visitas técnicas (quando dá problema), tempo do DP para coletar/ajustar dados e o custo de “parada” quando o equipamento falha bem na semana do fechamento.

Além do operacional, existe o risco jurídico quando o controle falha: a ausência de registro de ponto ou registros “britânicos” (horários invariáveis) pode gerar presunção relativa de veracidade da jornada alegada pelo empregado (Súmula 338 do TST).

Base legal: para estabelecimentos com mais de 20 trabalhadores, é obrigatória a anotação da hora de entrada e de saída (Art. 74, § 2º da CLT). A Portaria MTP nº 671/2021 consolidou as regras e classificou os registradores em REP-C, REP-A e REP-P.


Antes de somar custos: qual tipo de REP você usa?

A Portaria MTP nº 671/2021 organiza o registro eletrônico em:

  • REP-C: convencional (relógio físico)
  • REP-A: alternativo
  • REP-P: em programa

Isso importa porque muda o que entra na conta mensal. Exemplo direto:

  • No REP-C, existe a rotina de impressão do comprovante e, portanto, consumo de bobina.
  • No REP-P, há dispensa de comprovante impresso, desde que o sistema permita consulta eletrônica e envio do comprovante por e-mail (Art. 80 da Portaria 671).

Framework prático: “planilha mental” do custo mensal do REP-C

Use este modelo para estimar o custo mensal do relógio físico. A ideia é transformar “sensação de gasto” em números que você consegue acompanhar.

1) Bobinas (consumo por marcação)

Fórmula (mensal):

  • Marcações/dia = colaboradores × marcações por colaborador/dia
  • Marcações/mês = marcações/dia × dias úteis
  • Custo de bobina/mês = (marcações/mês ÷ capacidade da bobina em marcações) × preço da bobina

Como coletar internamente (sem chute):

  • Pegue 1 mês de operação e anote: quantas bobinas foram usadas e quantos colaboradores marcaram ponto.
  • Se houver mais de um relógio/unidade, separe por local (o consumo muda muito por fluxo).

Observação técnica que muda a compra: o comprovante impresso deve ter durabilidade mínima de 5 anos, conforme requisitos técnicos do INMETRO e do MTE. Na prática, isso puxa a escolha para bobinas de melhor qualidade e cuidado com armazenamento.

2) Visitas técnicas (ocorrências/ano → custo/mês)

Fórmula (mensal):

  • Custo de visitas/mês = (ocorrências/ano × custo médio por ocorrência) ÷ 12

Como coletar internamente:

  • Levante no financeiro/contratos: quantas vezes chamou assistência nos últimos 12 meses.
  • Some: deslocamento + hora técnica + peças (quando houver) e tire uma média por ocorrência.

Faixas de mercado (use como referência, não como verdade universal):

  • Fornecedores costumam cobrar deslocamento e hora técnica; os valores variam por região, SLA e contrato. O melhor caminho é pedir 2–3 cotações e registrar o custo médio por chamado.

3) Tempo do DP/RH (horas/mês)

Fórmula (mensal):

  • Custo DP/mês = horas gastas com ponto no mês × custo/hora do DP

Como coletar internamente:

  • Durante 1 fechamento, registre em uma planilha simples:
    • tempo de coleta/exportação
    • tempo de conferência
    • tempo de ajustes (marcações faltantes, divergências)
    • tempo de retrabalho com gestores

Caso típico: a coleta via pendrive falha, o arquivo não é gerado como esperado ou fica incompleto. O custo não é “do pendrive”: é o tempo do DP para refazer rotina, cobrar gestor e ajustar manualmente.

4) Custo de parada (quando o relógio falha)

Aqui entram dois componentes:

  • Custo operacional: tempo do DP e dos gestores “apagando incêndio”
  • Custo de risco: quanto a empresa fica exposta quando o registro não é confiável

Como medir sem inventar número:

  • Registre quantas vezes o relógio ficou indisponível no ano e por quanto tempo.
  • Anote o impacto direto no fechamento (ex.: “equipamento parado 2 dias na semana do fechamento”).

Exemplos numéricos (reproduzíveis) por porte

Os exemplos abaixo são para você montar sua conta. Onde entra preço de bobina, custo/hora e custo de visita, use os seus números (ou cotações reais). Para facilitar, vou deixar as variáveis explícitas.

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Exemplo A — empresa com 30 colaboradores

Premissas operacionais (ajuste para sua realidade):

  • 30 colaboradores
  • 4 marcações/dia por colaborador (entrada/saída + intervalo)
  • 22 dias úteis/mês

1) Marcações/mês

  • 30 × 4 × 22 = 2.640 marcações/mês

2) Bobinas/mês (em fórmula)

  • Se a bobina rende B marcações e custa R$ P:
    • Bobinas/mês = 2.640 ÷ B
    • Custo bobinas/mês = (2.640 ÷ B) × P

3) Visitas técnicas/mês (em fórmula)

  • Se você teve N ocorrências/ano e cada uma custou em média R$ V:
    • Custo visitas/mês = (N × V) ÷ 12

4) Tempo do DP/mês (em fórmula)

  • Se o DP gasta H horas/mês com coleta/conferência/ajustes e o custo/hora é R$ C:
    • Custo DP/mês = H × C

Total mensal (modelo):

  • Total REP-C/mês = bobinas + visitas + DP + custo de parada (se houver)

Exemplo B — empresa com 120 colaboradores

Premissas operacionais (ajuste para sua realidade):

  • 120 colaboradores
  • 4 marcações/dia por colaborador
  • 22 dias úteis/mês

1) Marcações/mês

  • 120 × 4 × 22 = 10.560 marcações/mês

2) Bobinas/mês

  • Bobinas/mês = 10.560 ÷ B
  • Custo bobinas/mês = (10.560 ÷ B) × P

3) Visitas técnicas/mês

  • Custo visitas/mês = (N × V) ÷ 12

4) Tempo do DP/mês

  • Custo DP/mês = H × C

O que normalmente muda do porte 30 → 120:

  • o consumo de bobina escala direto com marcação
  • o tempo de DP tende a crescer por volume de ajustes e conferência
  • qualquer parada “pega” mais gente e aumenta retrabalho

Checklist rápido: onde o REP-C costuma gerar custo escondido

Use como auditoria interna (30 minutos com DP + financeiro):

  • Quantas bobinas foram usadas nos últimos 3 meses? (por unidade/relógio)
  • Houve compra emergencial de bobina (frete/urgência)?
  • Quantos chamados técnicos aconteceram em 12 meses? Qual custo médio por chamado?
  • O DP mede horas gastas com coleta/conferência/ajustes? (se não mede, comece no próximo fechamento)
  • Já houve falha de coleta/exportação (ex.: pendrive) que atrasou fechamento?
  • Já houve período sem registro confiável? (isso aumenta risco em discussão de jornada)

O que é risco (e não só custo): registro ausente ou “britânico”

Dois pontos que valem ficar no radar:

  1. Obrigatoriedade do controle: para estabelecimentos com mais de 20 trabalhadores, a anotação de entrada e saída é obrigatória (Art. 74, § 2º da CLT).

  2. Efeito de falhas no controle: a falta de registro de ponto ou registros com horários invariáveis pode gerar presunção relativa de veracidade da jornada alegada pelo empregado (Súmula 338 do TST).

Na prática, manutenção e rotina de coleta não são só “TI”: são parte do seu controle de jornada.


REP-C vs REP-P: o que muda na conta mensal

A Portaria 671 também ajuda a entender por que algumas empresas comparam o relógio físico com o ponto em programa.

Ponto objetivo: no REP-P, não há obrigação de emitir comprovante impresso, desde que exista consulta eletrônica e envio do comprovante por e-mail (Art. 80 da Portaria 671). Isso pode retirar da conta itens ligados a papel e impressão.

Item que entra no mêsREP-C (convencional)REP-P (em programa)
Bobina / impressãoTende a existir (comprovante impresso)Dispensa impressão, com consulta eletrônica e envio por e-mail (Art. 80)
Visita técnica por falha do equipamentoPode acontecerDepende do modelo adotado (não envolve relógio físico de impressão)
Rotina de coleta manualComum em muitas operaçõesConsulta eletrônica (Art. 80)
Risco quando há falha de registroAumenta se o controle ficar inconsistenteContinua existindo se a gestão for ruim; a diferença é o meio de registro

Seção comercial (com premissas claras): como avaliar “economia” sem promessa vaga

Quando alguém fala em “economizar até X%”, a pergunta certa é: X% de quê?

Para comparar de forma honesta, coloque no mesmo pacote:

  • bobinas (consumo real)
  • visitas técnicas (média anual)
  • tempo do DP (horas de rotina + horas de retrabalho)
  • custo de parada (quando ocorrer)

Aí sim você consegue comparar com o custo mensal de um REP-P.

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Se você quiser fazer essa conta com um cenário real (com suas bobinas, seus chamados e suas horas de DP), compare com o custo de um ponto pelo celular como o PontoBarato (a partir de R$ 5/mês). Ele ainda não é REP-P certificado; se sua empresa precisa de REP-P, confirme com seu contador.


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